quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Realismo / Naturalismo no Brasil (1881 - 1893)

Utilizando-se das impressões sensíveis procura retratar a realidade, graças ao uso de detalhes específicos, o que faz a narrativa ser longa e lenta dando a impressão nítida de fidelidade aos fatos. A estética realista procura atingir a beleza sob o disfarce do comum e do familiar, no ambiente local e na cena contemporânea.

Do ponto de vista da estrutura, a ficção realista se distingue pelo predomínio do personagem sobre o enredo, da caracterização sobre a ação, do retrato do individuo, e da crônica, de suas vidas sobre os incidentes, estes aliás, decorrem das próprias motivações humanas.

O Realismo empresta particular atenção aos aspectos técnicos-estruturais e formais da narrativa e da composição. No particular da forma, o realista reitera a ideal clássico da pureza, da medida e da contenção, chegando mesmo à exaltação da beleza da expressão.

O Realismo é o estilo literário que constituiu uma reação ao sentimentalismo romântico e que, no Brasil, se desenvolveu nos últimos vinte anos do século XIX. Em vez de belas paisagens, ambiente luxuosos e sofisticados, personagens elegantes, temos em foco uma população anônima e marginalizada da sociedade carioca do século XIX. Promiscuidade, vida miserável, pobreza e a luta pela sobrevivência - eis os novos aspectos da realidade social que começam a ter lugar na literatura. No Brasil, o inicio do Realismo é marcado pela publicação em 1881, de dois romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O Mulato, de Aluísio de Azevedo. Seu término ocorre com a publicação de Missal e Broquéis, obras de Cruz e Souza.

Nas obras de alguns autores realistas, podemos distinguir certas características que definem uma tendencia que foi chamada de Naturalismo. Os escritores naturalistas, influenciados pelas ciências experimentais da época, viram o ser humano como um simples produto biológico cujo comportamento era resultado da ação social e da hereditariedade. Caberia ao escritor, portanto, armar em sua obra uma certa situação experimental e agir como um cientista: descrever as reações sem nenhuma interferência de ordem moral ou pessoal.

No Brasil, os principais escritores realistas e naturalistas são: Machado de Assis, Raul Pompéia, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio e Manuel de Oliveira Paiva.  


Cronologia dos Principais Romances do Realismo
1881 -  O Mulato, de Aluísio de Azevedo      
  Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
1884 -  Casa de Pensão, de Aluísio de Azevedo    
1888 -  O Missionário, de Inglês de Souza      
  O Ateneu, de Raul Pompéia      
1890 - O Cortiço, de Aluísio de Azevedo      
1891 -  Quincas Borba, de Machado de Assis    
1893 -  A Normalista, de Adolfo Caminha      
1895 -  Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha      
1899 -  Dom Casmurro, de Machado de Assis    
1903 -  Luzia-Homem, de Domingos Olímpio    
1904 -  Esaú e Jacó, de Machado de Assis      
1908 -  Memorial de Aires, de Machado de Assis    


Postado por Caroline.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!