sábado, 1 de novembro de 2014

Modernismo

Vídeo aula:







Essas vídeo-aulas são para um melhor entendimento do assunto Modernismo. 
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Postado por Caroline.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Modernismo no Brasil

No início do século XX desenvolveu-se na Europa um conjunto de correntes artísticas (dadaísmo, surrealismo, expressionismo, futurismo) que formaria a arte moderna. Artistas brasileiros, em suas idas ao exterior, voltavam com estas novas influências que, somadas ao desejo de instaurar uma arte moderna brasileira, longe da imitação de padrões europeus, com valorização do nacional, possibilitou o início do Modernismo no Brasil.

O Modernismo brasileiro teve três fases: a primeira surgiu em 1922, a segunda em 1930 e a terceira em 1945. O ponto de partida foi a Semana de Arte Moderna, que ocorreu entre 13 e 18 de fevereiro de 1922 e possibilitou a aproximação de vários artistas com ideias modernistas, dando força ao movimento.

 

Primeira fase do modernismo

Durante a primeira fase o movimento buscou concretizar-se no Brasil. Foi um período de grande produção de arte moderna e de materiais que divulgavam esta arte (orgia intelectual). Em meio a essa “orgia”, quatro correntes de pensamento ganharam força e foram ganhando teor ideológico ao longo da década de 20. São elas: Pau Brasil, Verde Amarelismo, Escola da Anta e Antropofagia.

 

Manifesto Pau Brasil

Fundado por Oswald de Andrade com o Manifesto Pau Brasil, o movimento Pau Brasil fazia críticas ao passado cultural brasileiro, que imitava os modelos europeus, propondo um olhar para o Brasil com o olhar do brasileiro, apesar das influencias europeias.

 

Verde Amarelismo

Em resposta a isso, o Verde Amarelismo vinha com a defesa de um nacionalismo exagerado, valorizando os elementos nacionais sem qualquer influência europeia. Esta corrente, que originaria a Escola da Anta, tinha inclinações nazistas e, de certa forma, possuía ideais xenófobos.

 

Antropofagia

A Antropofagia, também fundada por Oswald de Andrade, vinha como uma nova resposta às duas correntes, pregando a aceitação da cultura estrangeira, mas sem cópias e imitações. Esta cultura deveria ser absorvida pela brasileira, que colocaria na arte a representação da realidade do Brasil e do elemento popular, valorizando as riquezas nacionais.

 

Transição

Apesar dos movimentos contrários, vemos na primeira fase modernista uma arte descontraída, com poemas que desestruturavam as velhas escolas literárias e que traziam uma linguagem que fugia às regras gramaticais, aproximando-se da fala popular. A construção da imagem brasileira foi sendo aproximada do povo, da realidade popular e a principal temática comum a todas as obras era a valorização e reconstrução do nacionalismo.
A transição da primeira para a segunda fase modernista ocorreu em meio à revoltas contra a política brasileira do café-com-leite e à crise econômica ocasionada pela crise de 1929, que impossibilitava a importação do café, principal riqueza brasileira. As Grandes Guerras também viriam compor o cenário histórico da época.
A busca pela nacionalidade no final da década de 1920 já começava a ganhar ares ideológicos e os conflitos da época também pediam a tomada definitiva de uma posição ideológica. O resultado disso é a arte engajada que surgiu na segunda fase modernista, com uma reflexão sobre a época de crise e pobreza.

 

Segunda fase do modernismo

Se em 22 tínhamos um interesse pelos temas nacionais, com aproximação da linguagem popular e valorização da vida cotidiana; na arte engajada de 30 temos uma literatura mais amadurecida, sem a descontração e a irreverência, mas com reflexões sobre a realidade do brasileiro, trazendo à tona o nacional através desta reflexão, com textos de linguagem aproximada do popular.
A literatura da época de 30 dividiu-se em prosa e poesia: a prosa voltava-se para a crítica social, trazendo à tona os retratos de várias regiões do país (regionalismo) como forma de denúncia dos problemas sociais de cada região e com uma reflexão sobre a solução do problema; a poesia voltava-se para o sentimento humano, levantando o questionamento sobre a existência humana e a compreensão do local do mundo e do local que o ser humano tem neste mundo conflituoso.

 

Principais autores da segunda fase

Os principais nomes da prosa são: Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Érico Veríssimo. Na poesia, temos: Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Jorge de Lima, Murilo Mendes.

 

Terceira fase do modernismo

Com o fim das Grandes Guerras (Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial) e início da Guerra Fria e o fim da Era Vargas, que trouxe uma época de democratização política brasileira, o Modernismo brasileiro começou a ganhar novos rumos. Não era mais necessário o empenho social e político, pois em tese não havia mais conflitos aos quais se opor.
A geração de 1945 abandonou vários ideais de 22, criando novas regras que permitiam a liberdade para o artista criar o que quisesse. Eles não estavam mais ligados à obrigação de aproximar-se da realidade brasileira e nem de aproximar-se do povo através de uma linguagem popular e descontraída.
A principal temática da geração de 1945 estava ligada à aproximação do psicológico humano. Para transmitir esta reflexão da psicologia humana, as obras desta geração possuíam um equilíbrio rítmico e linguagem lírica que rendia-se à antiga forma decassíliaba e rigorosa, deixando de lado o verso livre instaurado em 1922.

 

Principais autores da geração de 45

São nomes famosos desta época: Clarice Lispector, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto.




Postado por Amanda

Pré-Modernismo no Brasil (século XX)

pré-modernismo (ou ainda estética impressionista) foi um período litérario brasileiro , que marca a transição entre o simbolismo e o movimento modernista. Em Portugal, o pré-modernismo configura o movimento denominado saudosismo.
O termo pré-modernismo parece ter sido criado por Tristão de Athayde, para designar os "escritores contemporâneos do neo-parnasianismo, entre 1910 e 1920", no dizer de Joaquim Francisco Coelho.
O avanço científico e tecnológico no início do século XX traz novas perspectivas à humanidade. As invenções contribuem para um clima de conforto e praticidade. Afinal, o telefone, a lâmpada elétrica, o automóvel e o telégrafo começam a influenciar, definitivamente, a vida das pessoas.
Além dessas, a arte mostrou um inovado meio de comunicação, diversão e entretenimento: o cinema.
É em meio a tanto progresso que a 1ª Guerra Mundial eclode. Em meio a tantos acontecimentos, havia muito que se dizer, e por isso, a literatura é vasta nos primeiros anos do século XX. Logo, os estilos literários vão desde os poetas parnasianos e simbolistas (que ainda produziam) até os que se concentravam na política e nas peculiaridades de sua região.
Chamamos de Pré-Modernismo a essa fase de transição literária entre as escolas anteriores e a ruptura dos novos escritores com as mesmas.
Enquanto a Europa preparava-se para a guerra, o Brasil vivia a chamada política do “café-com-leite”, onde os grandes latifundiários do café dominavam a economia.
Ao passo que esta classe dominante e consumista seguia a moda europeia, as agitações sociais aconteciam, principalmente no Nordeste.
Na Bahia, ocorre a famosa “Revolta de Canudos”, que inspirava a obra “Os Sertões” do escritor Euclides da Cunha. Em 1910, a rebelião “Revolta da chibata” era liderada por João Cândido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos vividos na Marinha.
Aos poucos, a República “café-com-leite” ficava em crise e em 1920 começam os burburinhos da Semana de Arte Moderna, que marcaria o início do Modernismo no Brasil.
Os principais escritores pré-modernistas são: Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graça Aranha e Augusto dos Anjos.
Os marcos literários são, especialmente, o já citado “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça Aranha.
O Pré-Modernismo não chega a ser considerado uma “escola literária”, pois não há um grupo de escritores que seguem a mesma linha temática ou os mesmos traços literários.
Autores Pré-Modernos
Euclides da Cunha (1866 – 1909)
Foi colaborador do Jornal “O Estado de S. Paulo” e por conta disso, em 1887 foi para Canudos cobrir a rebelião.
Obras
- Os Sertões (1902)
- Contrastes e Confrontos (1907)
- Peru versus Bolívia (1907)
- À Margem da História (1909 - obra póstuma)
Euclides da Cunha também foi professor do Colégio Pedro II.
Morreu assassinado em 1909 pelo suposto amante da sua esposa.
Lima Barreto
Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 no Rio de Janeiro e faleceu em 1922.
Foi jornalista, cronista, contista e escreveu romances.
Suas obras possuem o relato realista da sociedade carioca do início do século.
Seu estilo é simples e comunicativo.
Foi valorizado pelos modernistas e hoje é considerado um dos maiores nomes da nossa Literatura.
Levou uma vida triste e já no final de sua trajetória de vida se entregou à boemia e foi internado em um hospício.
Algumas Obras
- Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)
- Recordações de Escrivão Isaías Caminha (1909)
- Numa e a Ninfa (1915)
- Clara dos Anjos (1948)
- Histórias e Sonhos (1956 – contos)
- Bagatelas (1923 – crônicas)
Monteiro Lobato (1882 – 1948)
O maior nome da literatura infantil Brasileira.
Obras
- Reinações Narizinho
- Idéias de Jeca Tatu
- Urupês
- Cidades mortas
Graça Aranha (Maranhão 1868 – RJ 1931)
Era membro da Academia Brasileira de Letras, porém criticou seu conservadorismo e ficou ao lado da nova geração de artistas que surgiram com a semana moderna em 1922.
Obras
- Canaã (1902)
- Malazarte (1911)
- A estética da vida (1920)
- O espírito moderno (1925)
- A viagem maravilhosa (1929)
Além desses escritores podemos destacar também Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, ou Augusto dos Anjos como é mais conhecido. Sua obra é marcada pelo pessimismo, pela angústia e pelo medo.
É considerado um poeta de transição à procura de novos caminhos.
Falou sobre morte e decomposição da matéria usando um vocabulário cientifico.
Sua obra está reunida no livro Eu (1912).

Postado por: Júlio

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Simbolismo no Brasil

O único movimento literário no Brasil que começou quase simultaneamente com o europeu é o Simbolismo. Isso graças à genialidade de Cruz e Souza que soube captar as ideias do Simbolismo europeu e de imediato implantá-lo em nossa terra. Portanto, no Brasil, o Simbolismo começa em 1893 com a publicação de dois livros: Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poesia), ambos de Cruz e Souza.
No entanto, antes dessa data já haviam manifestações poéticas ligadas à nova estética. Em 1887 a publicação de Canções da Decadência, de Medeiros e Albuquerque e, no ano de 1891, é levado a público, no jornal carioca Folha Popular, o primeiro manifesto simbolista brasileiro, assinado por Emiliano Perneta, Cruz e Souza, Bernardino Lopes e Oscar Rosas.
O Simbolismo no Brasil foi bastante efêmero, como na Europa, apesar de trazer uma chama renovadora à poesia brasileira. Por que o movimento simbolista não chegou a propagar-se? Segundo o crítico Alfredo Bosi, o Simbolismo ficou restrito a uns poucos escritores, não conseguindo penetrar em círculos literários mais amplos; assim não pode exercer o papel que exercera em outros países, [...].
É importante salientar que o Simbolismo não veio para concluir a escola antecedente (realista – naturalista – parnasiana) e tampouco terminou com o início da escola seguinte. Na realidade, do fim do século XIX ao começo do século XX, três tendências caminhavam paralelas: Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, cada um com suas estéticas, e aqui e ali se fundindo em pontos comuns. Só o Modernismo, em 1922, viria para traçar novos rumos para a nossa literatura.


Cruz e Sousa
Principais obras:
- Missal (prosa)
- Broquéis (poesia)
- Tropos e fantasias
- Faróis
- Últimos sonetos

Principais características:
- No plano temático: a morte, a transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a angústia e a sublimação sexual, a escravidão e uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca;
- No plano formal: as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos.

Alphonsus de Guimarães
Principais obras:
- Setenário das dores de Nossa Senhora (1899)
- Dona Mística (1899)
- Kyriale (1902)
- Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923), entre outros.

Sua poesia desenvolve-se em torno de um misticismo marcado pela morte, que surge como uma inevitabilidade, e é praticamente transformada em objeto de adoração. Formalmente, o autor revela influências árcades e renascentistas, sem cair no formalismo parnasiano. O poeta chegou a explorar a redondilha maior, de longa tradição popular, medieval e romântica, sua obra é rica em recursos como aliterações e sinestesias.




Postado por Amanda

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Parnasianismo no Brasil

Foi um movimento poético do final do século XIX e início do século XX no Brasil, o marco inicial do Parnasianismo foi a publicação, em 1882, do livro Fanfarras, de Teófilo Dias. 


A principal característica do Parnasianismo é a preocupação formal.
Outras características eram:

  • racionalismo;
  • objetivismo;
  • predomínio do significante sobre o significado;
  • atração pelo soneto, pelos versos decassílabos e alexandrinos;
  • poema deve interessar pela sua beleza própria e não por mensagem ideológica: " Arte pela arte".

Um dos seus principais escritores foi Olavo Bilac, que foi considerado o Príncipe dos Poetas. Ele foi o autor da letra do Hino da Bandeira e possuía um nacionalismo extremado. Notabilizou-se também pelas campanhas cívicas, principalmente no combate ao analfabetismo e em favor do serviço militar obrigatório. Poeta que procura equilibrar a forma e o sofrimento, apresenta uma linguagem dotada de vocabulário rico e de musicalidade intensa. Introduz o Parnasianismo no Brasil com o poema "Profissão de Fé", em que compara o fazer poético ao trabalho artesanal, à ourivesaria. Dentro das obras de que Bilac escreveu, destacam-se, Via Láctea, em que a objetividade parnasiana evolui para uma postura mais intima e subjetiva; Sarças de Fogo - da sensualidade ao erotismo (amores carnais); O caçador de Esmeraldas - obra de preocupação histórica e nacionalista (bandeirismo).

Raimundo Correia é um dos poetas que, juntamente com Olavo Bilac e Alberto de Oliveira, forma a chamada Tríade Parnasiana. Maranhense, estudou direito em São Paulo e foi magistrado em vários estados brasileiros. Sua poesia dentro do movimento parnasiano representa um movimento de descontração e de investigação. Revela-se um poeta inquieto, demonstrando a presença da saudade, da melancolia e do pessimismo (pode ser facilmente confundido com os poetas da segunda geração do Romantismo). Suas principais poesias são: "Sinfonias" e "As Pombas".

Alberto de Oliveira - inicia com uma poesia romântica de antecipações parnasianas de contenção sentimental e gosto exótico. Na fase de aprimoramento focaliza a terra, preocupando-se com o descritivismo plástico. No final da obra, apresenta inclinações saudosistas, melancolia, sentimentalismo e certo desespero. Seus poemas mais conhecidos são: "Vaso Grego" e "O Muro".

Postado por Caroline.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Realismo / Naturalismo no Brasil (1881 - 1893)

Utilizando-se das impressões sensíveis procura retratar a realidade, graças ao uso de detalhes específicos, o que faz a narrativa ser longa e lenta dando a impressão nítida de fidelidade aos fatos. A estética realista procura atingir a beleza sob o disfarce do comum e do familiar, no ambiente local e na cena contemporânea.

Do ponto de vista da estrutura, a ficção realista se distingue pelo predomínio do personagem sobre o enredo, da caracterização sobre a ação, do retrato do individuo, e da crônica, de suas vidas sobre os incidentes, estes aliás, decorrem das próprias motivações humanas.

O Realismo empresta particular atenção aos aspectos técnicos-estruturais e formais da narrativa e da composição. No particular da forma, o realista reitera a ideal clássico da pureza, da medida e da contenção, chegando mesmo à exaltação da beleza da expressão.

O Realismo é o estilo literário que constituiu uma reação ao sentimentalismo romântico e que, no Brasil, se desenvolveu nos últimos vinte anos do século XIX. Em vez de belas paisagens, ambiente luxuosos e sofisticados, personagens elegantes, temos em foco uma população anônima e marginalizada da sociedade carioca do século XIX. Promiscuidade, vida miserável, pobreza e a luta pela sobrevivência - eis os novos aspectos da realidade social que começam a ter lugar na literatura. No Brasil, o inicio do Realismo é marcado pela publicação em 1881, de dois romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O Mulato, de Aluísio de Azevedo. Seu término ocorre com a publicação de Missal e Broquéis, obras de Cruz e Souza.

Nas obras de alguns autores realistas, podemos distinguir certas características que definem uma tendencia que foi chamada de Naturalismo. Os escritores naturalistas, influenciados pelas ciências experimentais da época, viram o ser humano como um simples produto biológico cujo comportamento era resultado da ação social e da hereditariedade. Caberia ao escritor, portanto, armar em sua obra uma certa situação experimental e agir como um cientista: descrever as reações sem nenhuma interferência de ordem moral ou pessoal.

No Brasil, os principais escritores realistas e naturalistas são: Machado de Assis, Raul Pompéia, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio e Manuel de Oliveira Paiva.  


Cronologia dos Principais Romances do Realismo
1881 -  O Mulato, de Aluísio de Azevedo      
  Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
1884 -  Casa de Pensão, de Aluísio de Azevedo    
1888 -  O Missionário, de Inglês de Souza      
  O Ateneu, de Raul Pompéia      
1890 - O Cortiço, de Aluísio de Azevedo      
1891 -  Quincas Borba, de Machado de Assis    
1893 -  A Normalista, de Adolfo Caminha      
1895 -  Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha      
1899 -  Dom Casmurro, de Machado de Assis    
1903 -  Luzia-Homem, de Domingos Olímpio    
1904 -  Esaú e Jacó, de Machado de Assis      
1908 -  Memorial de Aires, de Machado de Assis    


Postado por Caroline.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Livro: Capitães da Areia

Os Capitães da Areia é um grupo de meninos de rua. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, vem uma seqüência de pseudo-reportagens, explicando que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caçam como os adultos antes do tempo que são. 
A primeira parte em si, "Sob a lua, num velho trapiche abandonado" conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a quase cem):
 
Pedro Bala, o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, e depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; 
Volta Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; 
Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; 
Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; 
Sem- Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade); 
João Grande, o "negro bom" como diz Pedro Bala, segundo em comando; 
Querido- de- Deus, um capoeirista que é só amigo do grupo; e 
Pirulito, que tem grande fervor religioso. 

O ápice da primeira parte vem em duas partes: quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou na cidade, e exercem sua meninez; e quando a varíola ataca a cidade e acaba matando um deles, mesmo com Padre José Pedro tentando ajudá-los e se encrencando por isso. 
A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos", surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira "Capitã da Areia", e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente impedi-lo de continuar, e todos eles costumam "derrubar negrinhas" na orla.) Mas Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por Pedro Bala.
Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando escapam, muito enfraquecidos, se amam pela primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os principais membros do grupo.
 "Canção da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos mostrando a desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o RJ para se tornar um pintor de sucesso, entristecido com a morte de Dora; Gato se torna uma malandro de verdade, abandonando eventualmente sua amante Dalva, e passando por ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Querido-de-Deus continua sua vida de capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães da Areia ajudam numa greve.
Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim, ele deixa de ser o líder dos Capitães da Areia e se torna um líder revolucionário comunista. 
Este livro foi escrito na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e nota-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães de Areia são heróicos, "Robin Hood"'s que tiram dos ricos e guardam para si (os pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom, e o Padre José Pedro tem dúvidas quanto a posição da Igreja quanto ao assunto. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transformam em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães da Areia de Salvador.